Aparelho para os dentes: Será que o meu filho precisa de usar?

Aparelhos para os dentes das crianças: saiba quando é necessário usar

A preocupação com o sorriso dos filhos é comum a muitos pais. Naturalmente, surgem dúvidas sobre o alinhamento dentário e a eventual necessidade de recorrer ao uso de aparelho para os dentes. Mas afinal, será que o seu filho precisa mesmo de tratamento ortodôntico? Ao longo deste artigo, irá encontrar os principais sinais a que deve estar atento, bem como orientações sobre a idade mais adequada para a primeira avaliação com um especialista.

A ortodontia infantil é uma área da medicina dentária focada na correção do alinhamento dos dentes e das discrepâncias ósseas. Corrigir estes problemas precocemente não se trata somente de estética. É um passo fundamental para garantir a saúde oral, a capacidade de mastigação e até mesmo a autoestima da criança.

A intervenção a tempo pode prevenir problemas mais complexos no futuro.

Sinais de que o seu filho pode precisar de aparelho para os dentes

Identificar os problemas de uma forma precoce é crucial. Assim, são vários sinais que podem indicar a necessidade de uma avaliação ortodôntica e, posteriormente, de utilização de aparelho para os dentes. É importante observar o desenvolvimento da dentição do seu filho.

Problemas de Alinhamento e Oclusão

Uma mordida correta é essencial para a saúde oral e para o bom desenvolvimento facial. Por isso, se o seu filho apresenta dentes apinhados, separados ou se a mordida não encaixa bem, deve encarar estes sinais como um alerta. Em particular, situações como a mordida cruzada, em que os dentes superiores ficam por dentro dos inferiores, ou a mordida aberta, caracterizada por um espaço entre os dentes superiores e inferiores, exigem atenção redobrada. Do mesmo modo, a presença de dentes que nascem fora do lugar ou que demoram a cair também constitui motivo válido para procurar uma consulta especializada.

Hábitos Orais Prejudiciais

Alguns hábitos na infância podem afetar o desenvolvimento da arcada dentária. Entre os mais comuns, destaca-se o uso prolongado da chupeta após os três anos ou o ato de chupar o dedo, práticas que podem alterar a forma do palato e a posição dos dentes. Consequentemente, estes hábitos aumentam o risco de mordida aberta e de outras anomalias. Assim, a intervenção precoce pode revelar-se fundamental para corrigir os seus efeitos e garantir um crescimento dentário saudável.

A primeira consulta de ortodontia, recomendada por volta dos sete anos, permite avaliar o desenvolvimento dentário e ósseo da criança, identificar problemas precoces e definir a necessidade de monitorização ou tratamento ortodôntico.
Os principais sinais de que uma criança pode precisar de aparelho incluem dentes desalinhados, mordida cruzada ou aberta, atraso na troca dentária, dificuldades na mastigação ou fala e hábitos orais prolongados que afetam o crescimento dos maxilares.

Dificuldades na Fala ou Mastigação

A posição dos dentes e dos maxilares influencia a mastigação, mas também pode dificultar a fala. Por isso, se o seu filho apresenta dificuldades em pronunciar certos sons ou se a mastigação parece ser ineficaz, pode haver um problema subjacente. A correção ortodôntica pode melhorar estas funções. Além disso, problemas no alinhamento podem causar desgaste irregular dos dentes e dores na articulação temporomandibular.

Qual a idade ideal para a primeira consulta de ortodontia?

A American Association of Orthodontists (AAO), bem como a Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-Facial (SPODF), recomendam que a primeira avaliação ortodôntica ocorra por volta dos sete anos. Nesta fase, a criança já tem uma mistura de dentes de leite e dentes permanentes. Um ortodontista pode identificar problemas precoces que talvez não sejam visíveis aos pais. Por isso, esta consulta não significa que o tratamento terá de começar imediatamente. Mas é importante para despistar a necessidade de usar aparelho para os dentes.

O tratamento ortodôntico pode ser dividido em duas fases principais. A primeira fase, ou ortodontia intercetiva, atua em problemas específicos enquanto a criança ainda tem dentes de leite. O objetivo é intercetar e corrigir problemas de crescimento dos maxilares. A segunda fase, se necessária, acontece após o nascimento de todos os dentes permanentes. Um tratamento precoce e intercetivo pode reduzir a necessidade de intervenções mais complexas no futuro.

O que acontece na primeira consulta?

A primeira consulta é um passo importante para a saúde oral do seu filho. Assim, o ortodontista fará um exame visual completo da boca e da face. Além disso, para uma avaliação mais detalhada, poderão ser solicitadas radiografias panorâmicas e cefalométricas, além de fotografias da face e dos dentes. Moldes ou digitalizações em 3D da arcada dentária também podem ser feitos.

Com base nestes dados, o especialista irá diagnosticar o problema e apresentar um plano de tratamento. Este plano pode incluir a monitorização do crescimento, a aplicação de aparelhos removíveis ou fixos, ou a combinação de ambas as abordagens. Por fim, o ortodontista irá explicar todas as opções disponíveis.

Tipos de aparelho dentários para as crianças

O tratamento ortodôntico infantil utiliza diferentes tipos de aparelhos, adaptados a cada caso. Assim, a escolha depende da idade da criança, do problema a ser corrigido e do plano de tratamento definido pelo ortodontista.

Aparelhos dentários removíveis

Estes aparelhos podem ser removidos pela criança para comer e escovar os dentes. São, por isso, frequentemente usados na fase intercetiva para expandir o palato, criar espaço para os dentes permanentes ou corrigir hábitos.

Aparelhos dentários fixos

Os aparelhos fixos são os conhecidos aparelhos ortodônticos convencionais com brackets. Estes são “colados” aos dentes e conectados por arcos de metal que os liga entre eles.

São mais eficazes para o alinhamento de dentes e para a correção de problemas de oclusão. Os aparelhos fixos requerem uma higiene oral rigorosa e uma alimentação com alguns cuidados na seleção de alimentos.

Mitos e Verdades sobre a ortodontia infantil

Existem muitas informações incorretas sobre o uso de aparelho em crianças. Porém, é fundamental desmistificar estes conceitos.

  • Mito: O aparelho é apenas para estética.
    • A ortodontia corrige a mordida, melhora a mastigação e a fala, previne problemas futuros na articulação e contribui para a saúde gengival. A estética é apenas uma parte dos benefícios.
  • Mito: O tratamento só pode começar quando todos os dentes permanentes nascerem.
    • A intervenção precoce, a partir dos sete anos, pode prevenir problemas de crescimento ósseo e facilitar o tratamento futuro.
  • Mito: O aparelho estraga os dentes.
    • A falta de higiene oral durante o tratamento é que pode provocar cáries ou manchas. Com a escovagem e o uso de fio dentário adequados, os dentes e gengivas mantêm-se saudáveis.

O que dizem os estudos internacionais?

A prevalência de problemas de oclusão e alinhamento dentário é alta em todo o mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca a má oclusão como um problema de saúde pública. Já os tratamentos ortodônticos são um dos procedimentos dentários mais comuns em crianças e adolescentes.

Com efeito, diversos estudos publicados em revistas científicas confirmam a eficácia do tratamento intercetivo na redução da gravidade de certos problemas. A correção de mordidas cruzadas e a criação de espaço para dentes impactados são exemplos de intervenções que têm demonstrado sucesso a longo prazo.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O tratamento com aparelho é doloroso?

A colocação do aparelho não causa dor. Pode haver um desconforto nos primeiros dias e após os ajustes periódicos, mas é temporário. O ortodontista pode recomendar analgésicos para aliviar o desconforto.

A principal diferença reside no mecanismo de fixação do arco. O aparelho fixo convencional usa elásticos, enquanto o aparelho autoligado usa um clipe ou “porta” no bracket.

Sim. O aparelho pode ser estético, utilizando brackets de cerâmica ou porcelana (translúcidos) em vez de metálicos. Esta opção garante a eficiência dos aparelhos com um aspeto mais discreto.

Em alguns casos de apinhamento e de baixa complexidade, sim, o aparelho autoligado pode encurtar o tempo de tratamento devido à eficiência das suas forças e à redução do atrito. No entanto, a duração de um tratamento é sempre individual e definida pelo seu ortodontista no plano de tratamento.

O preço de um aparelho autoligado é, geralmente, superior ao do aparelho convencional. Isto deve-se à tecnologia e ao design avançado dos brackets autoligados. No entanto, deve considerar-se o custo-benefício, nomeadamente a redução potencial no tempo de tratamento e o menor número de consultas.

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