Mordida cruzada e falta de espaço: porque é importante avaliar na infância e adolescência?

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É muito comum os pais chegarem à consulta com uma preocupação aparentemente simples:
Os dentes do meu filho estão tortos” ou “parece que não há espaço suficiente”.
Na maioria dos casos, por detrás desta perceção existe mais do que apenas um desalinhamento dentário. Um dos problemas mais frequentes em crianças e adolescentes é a mordida cruzada, que muitas vezes está associada à falta de espaço no maxilar superior.

Foi exatamente isso que observámos neste caso clínico que vou descrever!

O que estava a acontecer?

Este jovem tinha 13 anos quando foi avaliado. Durante a observação clínica, verificou-se que:

• Os dentes superiores fechavam por dentro dos dentes inferiores (mordida cruzada)
• Existia falta de espaço para a erupção dos dentes definitivos
• O canino superior direito encontrava-se sem espaço para nascer corretamente.


À primeira vista, esta situação pode parecer apenas uma questão estética. No entanto, quando não corrigida, pode ter impacto na mastigação, no desenvolvimento dos maxilares e na estabilidade da mordida a médio e longo prazo.

Porque é importante avaliar estes casos precocemente?

A infância e a adolescência são fases-chave do crescimento. Durante este período, ainda é possível orientar o desenvolvimento ósseo e dentário de forma mais natural e previsível.


Idealmente, os casos de mordida cruzada de origem dentária devem ser avaliados e, sempre que indicado, tratados ainda em criança ou no início da adolescência.
Quando uma mordida cruzada não é corrigida atempadamente, pode:


• Provocar instabilidade da mordida
• Contribuir para desgastes dentários precoces
• Gerar sobrecarga muscular e articular
• Limitar as opções de tratamento no futuro


Em situações mais avançadas, quando não existe margem de crescimento, a resolução pode implicar tratamento cirúrgico. Por isso, avaliar e intervir no momento certo faz toda a diferença.

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Como foi feito o tratamento da mordida cruzada?

Neste caso, optou-se por uma abordagem faseada, respeitando o desenvolvimento do jovem paciente.

Primeira fase – Correção da mordida cruzada

Foi colocado um pequeno aparelho fixo no céu da boca (Hyrax), com o objetivo de alargar gradualmente o maxilar superior de forma controlada e segura.
A ativação deste aparelho decorreu durante cerca de duas semanas, com acompanhamento clínico semanal. Após a correção da mordida cruzada, o aparelho manteve-se em boca durante aproximadamente três meses, permitindo consolidar o resultado e reduzir o risco de recidiva.

Segunda fase – Alinhamento dentário

Após estabilizada a primeira fase, foi colocado aparelho fixo convencional em ambas as arcadas. O objetivo foi alinhar e nivelar os dentes, criar espaço para a erupção correta do canino superior e equilibrar a mordida.

Resultado final do tratamento ortodôntico de situação de mordida cruzada

No final do tratamento, foi possível alcançar:
• Uma mordida correta e estável
• Dentes alinhados
• Espaço adequado para todos os dentes definitivos

Mais do que alinhar dentes, o objetivo foi garantir função e equilíbrio, com um resultado pensado para ser estável a médio e longo prazo.
Uma mensagem importante para os pais com filhos com mordida cruzada
Nem todas as crianças ou adolescentes precisam de tratamento ortodôntico precoce.

No entanto, quando existem sinais como mordida cruzada ou falta de espaço, uma avaliação atempada é fundamental. E, idealmente, os casos de mordida cruzada de origem dentária devem ser corrigidos cedo, ainda em criança ou início da adolescência.

Lembre-se: Cada criança é única. Cada plano de tratamento deve ser individualizado.

Em muitos casos, tratar na idade certa permite evitar tratamentos mais longos, mais complexos ou mais invasivos no futuro.

Se tem dúvidas sobre o desenvolvimento da mordida do seu filho, uma consulta de avaliação pode esclarecer muito mais do que parece.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é a mordida cruzada?

A mordida cruzada ocorre quando os dentes superiores fecham por dentro dos dentes inferiores, em vez de ficarem ligeiramente por fora. Pode afetar apenas alguns dentes ou toda a arcada e surgir ainda na infância.

Não. Embora o desalinhamento seja visível, a mordida cruzada pode interferir com a mastigação, o desenvolvimento dos maxilares e a estabilidade da mordida, além de contribuir para desgastes dentários e sobrecarga muscular.

Na maioria dos casos, não. Sem avaliação e acompanhamento, a mordida cruzada tende a manter-se ou agravar-se com o crescimento, tornando o tratamento mais complexo no futuro.

A consulta de avaliação ortodôntica pode ser feita ainda na infância, geralmente a partir dos 6–7 anos. Mesmo que não seja necessário iniciar tratamento imediato, esta avaliação permite acompanhar o crescimento e intervir no momento certo.

Sim. Quando não existe espaço suficiente no maxilar, alguns dentes definitivos podem ficar retidos, nascer fora de posição ou causar desalinhamentos mais complexos, como acontece frequentemente com os caninos superiores.

Quando não corrigida, a mordida cruzada pode provocar instabilidade da mordida, desgastes dentários precoces, dores musculares ou articulares e, em idades mais avançadas, limitar as opções de tratamento. Em alguns casos, a correção pode vir a ser cirúrgica.

Nem sempre. No entanto, tratar no momento certo pode simplificar o tratamento futuro, reduzir a sua duração e evitar intervenções mais complexas durante a adolescência ou idade adulta.

O Hyrax é um aparelho fixo colocado no céu da boca que permite alargar gradualmente o maxilar superior. É utilizado para corrigir mordida cruzada e criar espaço de forma controlada, aproveitando a fase de crescimento.

A ativação pode causar uma sensação de pressão temporária, mas normalmente é bem tolerada pelas crianças e adolescentes. O acompanhamento efetuado regularmente pelo médico dentista ajuda a garantir conforto e segurança durante o processo.

Não. Cada caso deve ser avaliado individualmente. O mais importante é identificar sinais de alerta, como mordida cruzada ou falta de espaço para a erupção dos dentes, e decidir com base numa avaliação clínica se é necessário intervir ou apenas manter as consultas de acompanhamento.

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